miércoles, 30 de marzo de 2016

Crohn no braziu

Games of Chron: diario de una internación – Entrevista com Leonor Silvestri



Na coluna de hoje da Brigadeiro Comunicação entrevistamos a poeta e tradutora argentina, Leonor Silvestri* que, entre muitas outras facetas, também é professora de filosofia, esportista de combate (Jiu Jitsu brasileiro, Muay Thai e Kick Boxing) e deficiente legal, portadora da chamada Síndrome de Chron, uma condição autoimune na qual o sistema imunológico ataca a própria região gastrointestinalproduzindo inflamações.
Sua trajetória vital e política pode ser lida como umbusca pelaconsistência consigo mesma. Neste trajeto construiuma obra que inclui performances, manifestos, fanzines, ensaios filosóficos, ativismo, profundos desencontros, programas de rádio e vídeos, bandas de punk-rock, exibicionismo e vários boatos: uma obra na qual ela mesma, como corpo, é a matéria prima e o produto sempre in progress.
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Lançando o livro Game of Chrones, o diário de uma internação, e com a produção do documentário homônimo que pode ser conferido no desenrolar da entrevista, Leonor Silvestri nos convida a refletir sobre as potências dos corpos e nas condições capacitistas da nossa sociedade que continua produzindo padrões de normalidade e anormalidade enquadrando as várias potências de gênero, sexualidade e diversidade das capacidades funcionais. Além disso, Leonor nos chama a atenção para a responsabilidade do próprio movimento feminista e LGBT diante do deterioro físico e da velhice de seus totens e divas ativistas. Afinal, se há uma questão ética que reflete sobre a violência ativa contra os corpos sexualizados pelas normas heterossexualizantes, qual tem sido a ação dos movimentos que militam pelas causas transfeministas diante do abandono de seus referenciais éticos e teóricos?
Clara Cuevas – Como foi o devir (passar por, vir a ser) Chron pra você? Qual é a relação entre ser considerada deficiente e ser portadora de uma condição de deficiência?
Leonor SilvestriNa verdade, como não me veem como deficiente as pessoas não me consideram deficienteO que acaba sendo ainda mais problemáticoÉ preciso lembrá-los que convivo com uma(condição) autoimune, que eu me canso, que estou sempremedicada, que não posso tomar ou comer tudo o que gostaria, que meu sistema imunológico, para funcionar bem, deve funcionar mal porestar deteriorado, pego doenças oportunistas, etc. É uma forma de discriminação a invisibilização das afecções não visíveis. Por um lado, discrimina porque se acredita que deficiência é somente uma pessoacom cadeira de rodas, o que é absolutamente estigmatizante para todo mundo; por outro ladoé uma discriminação porque se acreditaque, como não me veem disca (discapacitada, deficiente)então nada me dói, ou que não sinto nada ou que não tenho necessidades especiais fora dos cânones de normalidade nos quais parece que habito, dado que não me vejo com o estigma de uma pessoa comdeficiência propriamente ditaTeve uma pessoa que uma vez me disse “que terrível ter uma deficiência que não se vê“, realmente as pessoas não medem seus comentáriosAs pessoas se descuidam na hora de falar porque não sabem, nem entendem com o quê convivo.São simplesmente brutas e indiferentesMas eu me sinto ótima, commedo, claro, de voltar a ter que injetar a medicação com seringas, porque meu intestino é perfurado, ou de ficar internada. Convivo comesse temor, mas me sinto bem, inclusive melhor do que antes ainda que me cuide muitojá não bebo de qualquer copo, não compartilho nenhum fluído, já não é a mesma coisa dormir em qualquer lugar e já não é mais indiferente os níveis de higiene do lugar onde estou. É difícil de explicar, suponho que se deva senti-lo. Conviver com uma deficiência nãé o fim do mundo, nem uma coisa tristíssima. Me dói pensar que as pessoas abortem fetos que considerem “mal formados”, por exemplo. A campanha pelo direito ao aborto naArgentina redigiu em seu projeto de lei que uma causa para o abortoseria a “má formação” do feto. Eu acredito no aborto, livre e gratuito, etambém creio que nãexistem fetos mal formados, apenas fetos não desejados e que não desejar um feto porque nãserá visto ou porquenão vai viver como se supõe que um corpo humano devser visto ou deve se sentir, é ser nazi eugenista disfaada de feminista. Mas eu me sinto mais potente, ainda que, ao mesmo tempo, me sinta mais frágil que antes.
Clara Cuevas – Como é ser uma esportista de combate com Chron?
Leonor SilvestriConheço uma pessoa que compete pelo MMA eprovavelmente vai chegar no nível profissional com uma autoimune !!! Não há muita diferençaEu só coloco mais atenção ao escutar meu corpo, tenho mairegistros do meu corpo e descanso mais que antes.Não estou competindo neste momento, mas na verdade sempre me interessou mais o aspecto do treinamento de alto rendimento do que a competição em si. E, além disso, o deterioramentque carrego tem mais a ver com a idade do que com o Chron. Basicamente, como deve ser pra todo o mundo, quando dói ou estou exausta, descanso e paro um pouco, e isso também faz parte do treinamento. Dizem que o cansaço não faz bem às pessoas que convivemos com autoimunes. Eu acho que não nos faz bem não fazer o que desejamos e, para mim, treinar me fascina e por isso não parei de treinar. Explico minha situação à quem estiver instruindo a aula e quando é necessário tomamos as medidas necessárias. Mas meu gastroenterologista dizque nãtem problema. Assim tenho seguido adiante, como se não tivesse Chron, mas tendo.
Documentário Games of Chrones – Completo
Clara Cuevas – Como você acha que os estudos de gênero e sexualidade podem dialogar com os devires que te possibilitou o Chron? Há feminismo no Chron ou o feminismo podia se infectar com as questões que são colocadas pela deficiência?
 esse famoso fragmento de Examined Life de Judith Butler onde dialoga e caminha com Senaura Taylor, que é uma ativista do que em inglês se chama cripple studies (estudos deficientes, aleijados, paralíticos, incapacitados). Para mim essa conversa entre elas foiesclarecedora porque, por um lado, a primeira conexão é como uma pessoa pode ser submetida a um regime de coerção direta ou indireta (desde psiquiatrização, correção médica, etc. até o bullying e amorte) e como ela é vista e se movee aí encontramos toda uma relação entre gênero, em seu sentido performativo, e deficiência. Ultimamente ando em uma linha ético-spinoziana de pensamento,mas me afastando do feminismo, como uma vez me afastei da poesiae do anarquismo. Continuacreditando na ética feminista como creiona anarquie no poder desautomatizador da palavra poética, mas já não creio no gênero literário, nem nos movimentos supostamente sociais que carregam esse nomeAtualmente, como te disse, se escreve uma lei onde se fala da “má formação do feto” e eu me pergunto se com “má formação” se referem à gravidez da qual a mulher já sabe que não vai proceder bem porque ela vai parir uma bola de carne que morre pouco depois de nascer ou se estamos falando de um bebê down. Realmente nãacho que a deficiênciaexista mais que como efeito de uma sociedade que “deficientiza” (quediscapacita, cria a deficiência), que a loucura é uma produção docapitalismo e que uma boa parte das doenças são rasa e superficialmente essências singulares diversas ao standard de normalidade que maneja a biologia que é uma maneira de fazer política. Ainda que eu saiba que vou mudar de opinião porque não faz muito tempo que investigo o tema e porque faz pouco tempo que fui diagnosticada e que me chamam de “doente”. Mas, a princípio, acredito que somos mutantes, diversas, e que como taideveríamos ser apreciadas, em todo o esplendor de nossas formas genéticas enossas capacidades de afetação, ou potências, que em muitos casosé ainda maior que o do denominador comum das pessoas. Como me ensinou Amanda Baggs em seus vídeos, creio que uma pessoa diagnosticada com autismo tem mais capacidade de afetação que apessoa universitária médiamas que não quer, conscientemente ounão, participar dos rituais deste mundo capitalista de hostilidade fatal.Além disso, muitas de nós, as discas (discapacitadas), devolvemos aomundo uma imagem não reconciliada com o que o mundo glorifica doprogresso: trabalhar, ter sucessoconstruir uma carreira, ser bonitas.Acho que muitas vezes as distintas deficiências colocam diante dos olhos daquelas pessoas que estão convencidas de serem normais, porque carecem do diagnóstico dado o paradigma no qual vivemos, coisas que querem negar: que o avanço nãé tal, que o progresso eo trabalho nãé saúde, que todas somos de um modo ou outrodeficientes ou que vamos ser porque a deterioração é inevitável e, por isso, eu celebro esta condição, entre outras coisas… Mesmo assim, toda uma boa parte dos feminismoso qual uma amiga chama deaviolicionismo (jogo de palavras entre violação e abolição) proibicionista trabalha em prol de não conceder direitos sexuais às pessoas com deficiência, se baseando em uma leitura anti-macho,com a qual eu, a princípio, poderia concordar se estivéssemos falando do hétero-cis (pessoa que nasceu assignada biopoliticamente como homem/mulher e possui identidade de gênero de acordo a essa assignação; pessoa não-trans), se estivéssemos falando do hétero-cismédio ou de um hétero-trans com uma passabilidade (pessoa trans que teoricamente tem passabilidade de uma pessoa cis; que “passa” por homem/mulher cis) impecável e subjetividade heterossexual, mas se fala de um deficiente!!!! Negar a um rapaz com deficiência o direitoa pagar a alguém, ou que a assistência social pague a alguém, paraacariciar seu corpo ou bater uma punheta somente porque a) as mulheres deficientes parecem não estar contempladas, b) essas tarefas de assistência sexual sejam realizadas somente por mulheres, me parece novamente um erro. E o feminismo está chato, está brutoe está moralista, só pensa assimAs tarefas de assistência sexual, especialmente, e o trabalho sexual, nãé realizado somente por mulheres nem por corpos feminizados voluntariamente, me refiro a mulheres trans e travestis; e deveríamos também lutar para que as mulheres discas também fossem contempladas, que a assistência social contemplasse o pagamento dos honorários das e dos profissionais que atendam sua sexualidade se elas não podemrealizá-lo de maneira autônoma, muito mais do que proibir a equidadeO feminismo está intransitávelNa verdade dá vontade de ir pra longe.
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Clara Cuevas – O capacitismo ainda parece ser um dispositivo bastante ignorado em nossa sociedade, como algo que não existisse. Como as pessoas em geral, poderiam contribuir para não prejudicar as pessoas deficientes sem utilizar a hipocrisia da boa consciência?
Não tenho ideia!!!!! hahahahah Pessoalmente, eu não deixo passar umaHá pouco cruzei em um jantar com uma senhora feminista muitoimportante que chegou a me dizer a seguinte frase “quando falo inglês me sinto uma retardada e eu respondi perguntando se ela se atreveria a trocar o adjetivo retardado em sua frase por “judia”, “indígena”, “negra” ou “mulher”. Por quê a dificuldade para falar umasegunda língua deve ser predicada com o ritmo pessoal, ou a demora pessoal, a idiorritmia (ritmo próprio) de uma pessoa? Capacitismo étanto supor que podemos fazer o mesmo como pensar que não podemos fazer o mesmo. Advogo por um mundo de esncias singulares e idiorritmias a serem inventadas, onde quando alguémtenha que insultar a outra pessoa, que o primeiro que venha a mentenão seja “retardado“, “mongol”, “aleijado“. Temos as tecnologias paratentar adaptar tudo e transformar tudo de forma acessível, o que não temos é a subjetividade para não deixaninguém pra trás e para honrar os tempos e os ritmos de cada um. Cada vez que alguémaplica un Piaget ou um Freud a uma pessoa, um bambi bebê morre. Também acredito na potência da perversão ou numa sexualidade não normativa, essa secreta que não contamos a ninguémOu seja, nós,as Crohn, as ostomizadas devemos nos encontrar com nossas irmãscoprófagas ou ao menos aquelas, devhaver um nome que desconheço, que adoram os aromas fortes, especialmente os fecais. Sei que estão por aí as pessoas que adoram os peidos e nãfalo brincando, falo sério. Pensemos que para o romano dio do mundo antigo passar a língua em uma vulva tinho mesmo efeito que paranós hoje tem comer merda. Se eu vou viver com uma bolsa abdominal onde minhafezes serão depositadas devo necessariamente me envolver afetivamente com gente que vejabeleza nisso. Do mesmo modo que existem fetiches pelo metal das cadeiras de rodas ou pela própria cadeira de rodasou pelas amputaçõeseu vi filmes pornôs de fisting com amputações erealmente me parece hermostro (jogo de palavras, fusão de “hermoso” (belo) com (mostro) “monstro, monstruoso”)Não quero que me desejem porque são pessoas tão boas que não ligam para o meu Chron, quero que me desejem por eleNeste instante, não seiquanto durará porque realmente é uma relação intensamente complicada, amo uma pessoa que na primeira vez que viu o corte enorme que faz uma fenda na minha barriga do umbigo até a pubes(que é bastante grossa porque tenho antepassados africanos e porisso minha cicatrização é do tipo queloide) pensou que era uma modificação corporal como minhas tatuagens e ficou encantada.Quando me contou isso, que tinha achado que se tratava de umaescarificação e que tinha adorado a cicatriz, me apaixonei. Desculpepor contar intimidades, é que também é uma pessoa que gosta dos aromas anais intensosQuer dizer, uma pessoa para alguém que vive com Crohn e defeca tão seguidamente como eu e onde seus gasesàs vezes terminam em emissão fecal. Creio que capacitismo tambémé nos obrigar a sentir vergonha disso, como o machismo faz com que tenhamos vergonha da nossa menstruação, seu aroma e sua consistência.
Clara Cuevas – O que você acha da instituição escolar? Qual foi sua relação com ela? Você acha que é um lugar para mudanças possíveis e interessantes?
Para mim parece o mesmo que a prisão, o hospital, o hospital  psiquiátrico e a família nuclear: grandes espaços de reclusão, dispositivos de subjetivaçãoFoi muito ruim o meu período escolar.No primário eu era a típica menina que não entendia muito o queestava acontecendomuito medíocre para ir mal, mas demasiado medíocre para ir bem. Fui o tempo todo escorada pela ajuda paterna,um custo muito alto, como costuma ser quando seus pais te ajudam. E como minha família é de classe média, não me diagnosticaram, ainda que eu tenha tido um claro deficit de atenção eera muito inquieta para tolerar a cadeira e a dupla escolaridade. Além disso, naquele tempo não estava na moda diagnosticar as meninas e meninos que não correspondiam ao que a escola normal esperava.Tomara que um dia não precisemos mais ir à escola. Não tenho nenhum apreço pela educação formal e escolhi não me graduar. Se eu pudesse voltar no tempo nem teria ido à universidade e teria trabalhado de maneira autônoma como trabalhadora sexual de alto nível. Nãacredito ser um absoluto produto deste lugar chamado academia, mas como posso juntar sintaxe ao vivido as pessoas pensam que sou pesquisadora. Aprendi também treinando esportes de combate, assim como com as trabalhadoras sexuais e nas ruas.Afinal, Homero, o fundador da cultura ocidental, era cego eanalfabeto, não?
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Clara Cuevas – Conta do documentário e do livro, é possível comprá-lo no Brasil? Você tem previsões para vir pra cá?
O documentário sobre Chron nós fizemos com Mai Staunsager, umaamiga, de uma forma muito low fi. Está online a disposição sem fins de lucro para quem quiser utilizá-lo, reitero, sem fins de lucro. Dura uma hora e foi feito com fragmentos da minha vida ao sair do hospital.Não tenho pensado em voltar ao Brasil, mas minha amiga Ali de Porto Alegre está traduzindo Foucault para Encapuchadas com um coletivo editor de lá, então talvez eu volte. Tenho perdido esse desejo de viajar que antes tinha a flor da pele.
Clara Cuevas – Marlene Wayar, no Desfazendo Gênero do ano passado, apesar de valorizar as conquistas dos pequenos laços comuns formados coletivamente, nos chamou a atenção sobre o quanto o discurso “autogestionário” pode ser violento às vezes para os corpos que sempre tiveram que se autogestionar para sobreviver. Você acha a anarquia deve ser organizada?
Eu estive no Desfazendo ano passado falando de diversidadecorporal e funcional, desconheço o que Marlene falou em sua comunicação porque foi coincidente com a minhamas é certo que já faz um tempo que está advogando pela institucionalidade e peloestatismoMe interessa mais minha proposta que criticar umafuncionária estatal (pelo menos do governo cessante), como é o caso da senhora Wayar. Eu estou do lado do crime desorganizado, das classes inferiores, das almas em situação de prisão, das trabalhadoras sexuais autônomas e as travestis que não querem ser senhoras de bem ou diretoras de revistas culturais subvencionadas pelo, outrora chefe de governo da cidade de Buenos Aires, atualpresidente da nação, como é Marlene. A mesma Wayar que critica ogoverno oficial de extrema direita atual era a mesma que dirigia uma revista no centro Cultural Ricardo Rojas, subvencionado com os fundos do Governo da cidade de Buenos Aires, sob o mandato de Macri, chefe de governo dessa cidade, me faço explicar? Não creio no trabalho, creio em sua aboliçãoA anarquia está em todo lugarmas é é necessário saber vê-lae obviamente, é organizaçãoSe autogestionar nãé somente a única opção possível, às vezes é o único que algumas de nós podemos fazerEu tentei trabalhar sob o o mando de uma editora em uma empresa como em uma revista ou jornal e não consegui, simplesmente não estou capacitada para receber ordens ou me colocar sob a autoridade de alguémMas, é claro que quem se viu tão privilegiado e beneficiado pelo Estado Nacional não pode, senão, defendê-lo. Acredito na organização barrial autônoma, nas mulheres dos bairros que se organizam e saem a manter controlados os estupradores e abusadores, creinas pessoas que sem ser as melhores amigas de toda a vida, se cuidam ecompartilham o que tenham para compartilhar. Creio que o Estado nos subjetiva para nos tornar humanos, ou seja, seres competitivos eabatidosacredito que as espécies cooperam e que essa cooperaçãosupõe o conflito. O importante é quais mecanismos temos para resolvê-lo e estou segura que podemos resolver estes conflitos sem a mediação do Estado Nação.
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Clara Cuevas – Hija de Perra, famosa artista performer chilena, colocava uma boa pergunta para ser feita pela manhã olhando ao espelho: “Qué tan imundo eres tú?”. Você acha que a filosofia do contágio, da sujeira e das infecções é uma boa forma de contaminar a si mesmo e ao mundo com a diferença?
Essa performer, amiga de amigas minhas, era um doce e tímidogaroto que não tinha nada de imundo no sentido performático dotermoainda que sim, fosse um inadaptado. Eu sou bastante imunda no sentido de que muitas das pessoas que me admiram e me idolatram não poderiam me querer ou me suportar no meu cotidiano. O feminismo e o movimento LGBT algum dia terá que se fazer responsável de que não pode com nenhuma de suas monstras as quais ama como divas, mas abandona à sorte e à distância.Shulamith Firestone, a famosa lesbofeminista de Dialética do Sexomorreu sozinha, psicótica e foi encontrada 5 dias depois em sua casa, morta; María Elena Oddone, quem trouxe à Argentina o feminismo e investiu sua fortuna pessoal no movimento publicando de seprópriobolso a primeira revista feminista de nosso país, vive com mais de 80 anos no ostracismo se mantendo como costureira e alugando um quarto em seu pequenapartamento de 3 ambientes; Wittig teve quese exiliar fora da França porque o feminismo heterossexual, entre elas Beauvoir, não tolerou suas teorias antiheterosexuais, que hoje sãoutilizadas até por mulheres heterossexuais. O feminismo e omovimento LGBT é responsável pelo abandono e pelas mortes de seus setores mais radicalizados, os quais logo são convertidos em totensVocê me perguntou sobre quem fez a vida de Wally, aka Hija de Perra, uma vida vivível, sem dúvida foram pessoas como suas amigas mais íntimas àquais não sei se querem ser mencionadas,mas que o quiseram com as plumas e sem elas, foram elas que estiveram ali quando a famosa e talentosa Hija de Perra era apenas Wally, um rapaz homossexual e tranquilo.
Clara Cuevas – Ainda levando em conta o que acontece no Brasil, gostaria que você falasse sobre a violência da normalidade e do nacionalismo. O que fazer com o patriotismo que contagia até os corações mais anarcos?
Lutar contra isso e contra a moral. O anarquismo está morto, se é que alguma vez viveu. Bom, sim, alguma vez, viveu. O que segue vivo é a anarquia antiestatal anticapitalista. Detesto loucamente a moral e o patrioteirismo simplesmente não consigo entender. Porém, para ser completamente franca não tenho a menor simpatia apriorística por quase ninguém com passaporte europeu, em especial certas nacionalidades e seu imperialismo, como aquela gente subjetivada na França. Mas também não creio em coisas tais como a pátria grande ou a irmandade latino-americana.
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Clara Cuevas – Por último, aqui no Brasil segue em voga a perseguição física, mas também ideológica contra os devires não-heterosexuais, leis e cidades proibindo a “ideologia de gênero”, ou seja, proibindo qualquer problematização das normas de gênero e sexuais nas escolas e instituições. Você tem alguma recomendação para quem tenha que sobreviver a isso?
Eu tenho a questão de como sobreviver a esses discursos progressistas da boa consciência, desde as lésbicas lesbonormativas até as feministas pró-maternidade. Sempre digo, se existem nazis, que venham bem vestidos, não tolero os nazis mal vestidos que ainda por cima acreditam que não são microfascistas. O Brasil não é um lugar seguro não somente para as bichas ou sapatões, não é um lugar seguro para ninguém que queira ser trabalhadora sexual autônoma, não queira ser mãe, não queira habitar o espaço seguro e confortável do queer branco acadêmico de classe alta ou que não queira ser um ranço anarco heterossexual. Essa gente progre é tão perigosa com seu microfascismo como um esquadrão de neonazis, mas muito menos visível. Meu grande terror e meu grande inimigo não são as obviedades, mas sim as sutilezas microfacistas que habitam até no coração supostamente mais revolucionário.
*Alguns de seus livros são a tetralogia La guerra en curso (Nos es nada, Paris, 2016), Guerra Fría (Germinal Costa Rica 2014), El Don de Creer (Curcuma. 2010; Germinal, Costa Rica; Santa Muerte Cartonera México, 2009); o curso mitologia grecolatina (libro-objeto CD-rom. Voy a salir y si me hiere un rayo. 2006); e Nugae, Teoría de la traducción (Simurg. 2003); Irlandesas, 14 poetas contemporáneas (de Bajo la Luna. 2011); e o ensaio Catulo, Poemas. Una introducción crítica (Santiago Arcos. 2005). Com Ludditas Sexxxuales publicou na mesma editora Ética Amatoria del deseo libertario y las afectaciones libres y alegres (2012) e com Manada de Lobxs, Foucault para encapuchadas (2014). Com Mai Staunsager, filmou o documentário homônimo, “Games of Crohn”, que está no link disponibilizado ao longo da entrevista.


# Como fue el devenir-Chron para vos? Cuál es la relación entre ser considerada discapacitada o tener una condición de discapacidad? 
La verdad es que como no se me ve discapacitada la gente no me considera discapacitada. Lo cual suele ser de lo más problemático. Hay que recordarles que convivo con una autoinmune, que me canso, que estoy medicada, que no puedo beber ni comer todo lo que quisiera, que mi sistema inmunológico para que funcione bien debe funcionar mal por ende está deteriorado, me pezco enfermedades oportunistas, etc. Es una forma de discriminación la invisibilización de las afecciones no visibles. Por un lado discrimina porque se cree que discapacidad es solo una persona en silla de ruedas, lo cual es absolutamente estigmatizante para todo el mundo; por el otro, es una discriminación porque se cree que como no se me ve disca, entonces nada me duele, o nada siento o no tengo necesidades especiales por fuera de los cánones de normalidad que parece que habito dado que no me veo como el estigma de una persona con discapacidad dicta. Hubo una persona que una vez me dijo "que terrible tener una discapacidad que no se vea", realmente la gente no mide sus comentarios. La gente me descuida porque no sabe, ni entiende con qué convivo. Es simplemente bruta y desafectada. Pero yo me siento genial, con miedo, claro, de volverme a pinchar, porque mi intestino se perfora, o de quedar internada, convivo con ese temor, pero me siento bien, incluso mejor que antes aunque me cuido mucho: ya no bebo de cualquier vaso, no comparto culquier fluido, no me da ya igual donde duermo ni cuanto ni los niveles de higiene de donde me encuentre. Dificil de explicarlo, supongo que hay que sentirlo. Convivir con una discapacidad no es el fin del mundo, ni una cosa tristisima. Me duele pensar que la gente aborta fetos que considera "malformados", por ejemplo. La campaña por el derecho a la abortohistórica en argentina redacto en su proyecto de ley, que igual no sirve para nada porque nadie las ha escuchado nunca en los últimos 30 años, que una causal para el aborto es la "malformación" del feto. Yo creo en el aborto, libre y gratuito, y también creo que no hay fetos malformados solo fetos no deseados, y que no desear un feto porque no se va a ver o vivir como se supone que un cuerpo humano debe verse o sentir es ser nazi eugenista disfrazada de feminista. Pero yo me siento más potente, aunque al mismo tiempo, más frágil que antes. 
# Como es ser una deportista de combate con Chron? 
Conozco alguien que compite MMA, y probablemente llegará a nivel profesional con una autoinmune!!! No hay mucha diferencia. Solo pongo más atención en escuchar al cuerpo, tengo más registro demi cuerpo, y descanso más que antes. No estoy compitiendo en este momento, pero la verdad siempre me interesó más el aspecto del entrenamiento de alto rendimiento que la competencia. Y además el deterioro que llevo tiene que ver con la edad más que con Crohn. Basicamente como debería ser para todo el mundo, cuando me duele o estoy exhausta, descanso y me detengo y eso forma parte de entrenar. Dicen que no nos hace bien cansarnos a las personas que convivimos con autoinmunes. Yo creo que no nos hace bien no hacer lo que deseamos y a mi entrenar me fascina por ende, no me detuve. Explico mi situación a quien esté al frente de la clase y cuando viene al caso tomamos los recaudos necesarios. Pero mi grastroenterólogo dice que no hay problemas. Así que he seguido adelante, como si no tuviera Crohn pero teniendolo.
# Como te parece que los estudios de género y sexualidad podrían dialogar con los devenires que te regaló el Chron? Hay feminismo en Chron o el feminismo podría infectarse con las cuestiones que plantean la discapacidad?
Esta ese famoso fragmento de Examined Life de Judith Butler donde dialoga y camina con Senaura Taylor, que es una activista de lo que en inglés se llama cripple studies. Para mi esa charla entre ellas fue esclarecedora porque por un lado la primera conexión es cómo una persona puede ser sometida a un régimen de coerción directa o indirecta (desde psiquiatrización, correccción médica, etc. hasta bullying y muerte) por como se ve/mueve, y ahí encontramos toda una relación entre género, en su sentido performativo, y discapacidad. Ultimamente ando en una  línea ético-spinoziana de pensamiento pero alejandome del feminismo, como una vez me aleje de la poesía y del anarquismo. Continúo creyendo en la ética feminista como creo en la anarquía y en el poder desautomatizador de la palabra poética pero ya no en el género literario, ni en los movimientos supuestamente sociales que llevan ese nombre. No te digo que se redacta una ley donde se habla de malformación de feto, y yo me pregunto si malformacion es un embarazo que una ya sabe que no va a proceder bien porque una va a parir una bola de carne que muere ni bien nace o si estamos hablando de un bebé down.  Realmente no creo que la discapacidad exista más que como efecto de una sociedad que discapacita, que la locura es una producción del capitalismo y que una buena parte de las enfermedades son lisa y llanamente esencias singulares diversas al estandar de normalidad que maneja la biología que es una manera de hacer política. Aunque sé que cambiaré de opinión porque no hace tanto que investigo el tema dado que hace más bien poco que fui diagnosticada y se me dice "enferma". Pero en principio creo que somos mutantes, diversas, y que como tales deberíamos ser apreciadas, en todo el esplendor de nuestras formas genéticas y nuestras capacidad de afectación, o potencias, que en muchos casos es aun mayor que el del común denominador de las personas. Como me enseñó Amanda Baggs en sus videos creo que una persona diagnósticada de autismo tiene más capacidad de afectación que la universitaria promedio, solo que no quiere, concientemente o no, participar de los rituales de este mundo capitalista de hostilidad fatal. Además muchas de nosotras, las discas, le devolvemos al mundo una imagen no reconciliada con lo que el mundo glorifica del progreso: trabajar, tener éxito, hacer  carrera, ser bellas. Creo que muchas veces las distintas discapacidades ponen delante de los ojos de aquellas personas que están convencidas de ser normales porque carecen de diagnóstico dado el paradigma en el que vivimos cosas que quieren negar: que el avance no es tal, que el progreso y el trabajo no es salud, que todas somos de un modo u otro discas o lo seremos porque el deterioro es inevitable, y por eso lo celebro, entre otras cosas...Asimismo, toda una buena parte del feminismos, al cual una amiga le dice aviolicionismo (juego de palabra entre violación y abolición) prohibicionista trabaja en pos de no consder derechos sexuales a las personas con discapacidad basándose en una lectura anti-macho, con la que yo en principio podría concordar si estuvieramos hablando del hetero-cis promedio o hetero-trans con un passing impecable y subjetividad heterosexual, pero de un disca!!!! Negarle a un varón con discapacidad el derecho a pagarle a alguien, o que la obra social le pague a alguien, por acariciarle el cuerpo o hacerle una paja solo porque a. las mujeres discas parecen no estar contempladas, b. esas tareas de asistencia sexual las realizan solo mujeres, me parece nuevamente un error. Y el feminismo esta chato, esta bruto, y esta moralista, solo piensa así. Las tareas de asistencia sexual, especialmente, y el trabajo sexual, no es realizado solo por mujeres ni por cuerpos feminizados voluntariamente, me refiero a mujeres trans y travestis; y deberíamos también luchar porque a las mujeres discas también la obra social le contemple el pago de los honorarios de les profesionales que atiendan su sexualidad si ellas no pueden hacerlo de manera autónoma, más que prohibir la equidad. El feminismo está intransitable. La verdad dan ganas de irse lejos.

# El capacitismo todavía parece ser un dispositivo bastante ignorado en nuestra sociedad, como algo que no existiera. Como las personas en general podrían contribuir efectivamente para no perjudicar (cagar la vida) las personas discapacitadas sin utilizar la hipocresía de la buena conciencia?
No tengo idea!!!!! hahahahah Personalmente, yo no les dejo pasar una. Hace poco me crucé en una cena con una señora feminista muy importante que llegó a decirme la siguiente frase "cuando habló inglés me siento retardada" y yo le contesté si ella se atrevería a cambiar el adjetivo retraso ahí en su oración por "judía", "indígena", "negra" o "mujer". ¿Por qué la dificultad para hablar una segunda lengua debe ser predicada con el ritmo personal, o la tardanza personal, la idiorritmia de una persona? Capacitismo es tanto suponer que podemos lo mismo como que no podemos lo mismo. Abogo por un mundo de esencias singulares e idiorritmias a inventar, donde cuando alguien tenga que insultar a otra persona lo primero que se le venga a la mente no sea "retraso" "mogolico" "tullido". Tenemos las tecologías como para adaptarlo todo y volver todo accesible, lo que no tenemos es la subjetividad para no dejar a nadie atrás y para honrar los tiempos y los ritmos de cada quien. Cada vez que alguien le aplica un Piaget o un Freud a una persona, un bambi bebé muere. También creo en la potencia de la perversión o una sexualidad no normativa, esa secreta que no le contamos a nadie. Es decir, nosotras las Crohn, las ostomizadas debemos encontrarnos con nuestras hermanas cropófagas o al menos aquellas, debe tener un nombre que desconozco, que adoran los aromas fuertes, especialmente los fecales. Sé que están por ahí las personas que adoran los pedos y no lo digo en chiste, lo digo en serio. Pensemos que para el romano promedio del mundo antiguo hender la lengua en una vulva tenía el mismo efecto que para nosotras hoy comer mierda. Si he de vivir con  una bolsa abdominal donde mis heces serán depositadas debo necesariamente involucrarme afectivamente con gente que encuentre belleza en ello. Del mismo modo que hay fetiches por el cromo de la silla de rueda o la silla de rueda misma, o por las amputaciones, he visto pelis porno de fisting con amputaciones y realmente me resulta hermostro; yo lo tengo por ejemplo. No quiero que me deseen porque son tan buenas que no les importa mi Crohn, quiero que me deseen por él. En este instante, no sé cuánto durará porque realmente es una relación intensamente complicada, amo a una persona que la primera vez que vio el tajo enorme que me surca la panza desde el ombligo hasta el pubis (que se es bastante grueso porque tengo antepasados africanos y por ende mi cicatrización es del tipo queloide) pensó que era una modificación corporal como mis tatuajes y le encantó. Cuando me contó eso, que había creído que se trataba de una escarificación y que le encataba, me enamoré. Disculpas por contar intimidades, tambbién es una persona que le gustan los aromas anales intensos. Es decir, una persona para alguien que vive con Crohn y defecta tan seguido como yo y donde sus gases a veces terminan en una emisión fecal. Creo que capacitismo también es obligarnos a sentir vergüenza de esto, como el machismo nos avergüenza de nuestra menstruación, su aroma y su consistencia.

# En Brasil estamos pasando por terribles momentos de violencia política con la creciente organización de la extrema derecha. Te parece que el devenir-puta-lesbiana-
esta incompleta tu pregunta....?
# Marlene Wayar en el Desfazendo Género del año pasado, a pesar de valorar los logros de los pequeños lazos comunes formados colectivamente, nos ha llamado la atención sobre lo cuanto el discurso "autogestionario" puede ser violento aveces para los cuerpos que siempre han tenido que autogestionarse para sobrevivir. Te parece que la anarquía debe ser organizada?
Yo estuve en Desfazendo el año pasado hablando de diversidad corporal y funcional, desconosco que habló Marlene en su charla porque fue coincidente con la mía, pero es cierto que hace rato está institucionalidad y estatista. Me interesa más mi propuesta que criticar a una funcionaria estatal (por lo menos del gobierno saliente), como es el caso de la señora Wayar. Yo estoy del lado del crimen desorganizado, de las clases inferiores, de las almas en prisión, de las trabajadoras sexuales autónomas y las travetis que no quieren ser señoras de bien, directoras de revistas culturales subensionadas por el otrora jefe de gobierno de la ciudad de buenos aires, actual presidente de la nación como lo es ella. La misma Wayar que critica el gobierno oficial de extrema derecha actual era la misma que dirigia una revista en el centro Cultural Ricardo Rojas, subnesionado con los fondos del Gobierno de la ciudad de Buenos Aires, bajo el mandato de Macri jefe de gobierno de esa ciudad, me explico? No creo en al trabajo, creo en su abolición. La anarquía que está en todas partes, pero hay que saber verla, y porsupuesto es organización. Autogestionarse no es solamente la única opción posible a veces es lo único que alguna de nosotras podemos hacer. He intentado trabajar bajo el mando de una editora en una empresa como es una revista o un diario y no lo he conseguido, simplemente no estoy capacitada para recibir órdenes o ponerme bajo el mando de nadie. Pero obviamente quien se ha visto tan privilegiado y beneficiado por el Estado Nacional no puede sino defenderlo. Creo en la organización barrial autónoma, en las mujeres de los barrios que se organizan y salen a mantener a raya a los violadores y abusadores, creo en las personas que sin ser las mejores amigas de toda la vida se cuidan y comparten lo que tengan para compartir. Creo que el Estado nos subjetiva para volvernos humanos, es decir seres competitivos y aplanados, creo que las especies cooperan y que esa cooperación supone el conflicto. Lo importante es qué mecanismos tenemos para resolverlo y estoy segura que podemos resolver esos conflictos sin que medie el Estado Nación.  

# Hija de Perra, famosa artista performer chilena,  planeaba una buena pregunta para hacerse temprano mirando al espejo: "Qué tan imundo eres tú?" Te parece que la filosofía del contagio, de la suciedad y de las infecciones es una buena forma de  contaminar a si mismo y al mundo con la diferencia?
Esa performer, amiga de amigas mías, era un dulce y tímido muchacho que no tenía nada de inmundo en el sentido performático del término, aunque sí de inadaptado. Yo soy bastante inmunda en el sentido de que muchas de las personas que me admiran y me idolatran no podrían quererme ni sostenerme en mi cotidiano. El feminismo y el movimiento LGTB algún día tendrá que hacerse cargo de que no puede con alguna de sus monstruas a las cuales ama como divas pero abandona a su suerte a lo lejos. Shulamith Firestone, la famosa lesbofeminista de Dialéctica del Sexo murió sola, psicótica, y fue encontrada 5 días después en su casa muerta; María Elena Oddone, quien trajo a la Argentina el feminismo e invirtió su fortuna personal para el movimiento y publicó de su bolsillo la primera revista feminista de nuestro país, Persona, vive con más de 80 años en el ostracismo mateniéndose como costurera y alquilando una habitación en su pequeño departamento de 3 ambientes; Wittig tuvo que exiliarse fuera de Francia porque el feminismo heterosexual, entre ellas Beauvoir, no toleró sus teorías antiheterosexuales, que hoy son utilizadas hasta por mujeres heterosexuales. El feminismo y el movimiento LGTB es responsable del abandono y las muertes de sus cuadros más radicalizados a los que luego convierte luego en totems. Me preguntó quién hizo de la vida de Wally, aka Hija de Perra, una vida vivible, sin duda gente como sus amigas más íntimas a las cuales no sé si quieren ser mencionadas pero que le han querido con las plumas y sin ellas, y han estado ahí cuando la famosa y talentosa Hija de Perra era tan solo Wally, un muchacho maricón y tranquilo. 

# Todavía teniendo en cuenta lo que sucede en Brasil, me gustaría que hablaras un poco sobre la violencia de la normalidad y del nacionalismo. Qué hacer con el patriotismo que contagia hasta los corazones más anarcos?
Luchar en contra de eso y en contra de la moral. El anarquismo está muerto, si es que alguna vez vivió. Bueno, sí,alguna vez, vivió. Lo que sigue vivo es la anarquía antiestatal anticapitalista. Detesto locamente la moral y el patrioterismo simplemente no lo puedo entender. No obstante, para serte completamente franca no tengo la menor simpatía apriorística por casi nadie con pasaporte europeo, en especial ciertas nacionalidades y su imperialismo, como la gente subjetivada en Francia. Pero tampoco creo en cosas tales como la patria grande o la hermandad latinoamericana. 
# Qué te parece la institución escolar? Cuál fue tu relación con ella? Te parece un lugar para cambios posibles o interesantes?
Me parece lo mismo que la cárcel, el hospital, el psiquiátrico y la familia nuclear: grandes espacios de encierro, dispositivos de subjetivación. La pasé fatal en la escuela. En la primeria era la típica nena que no entendía mucho de lo que ocurría, demasiado mediocre para que me vaya mal pero demasiado mediocre para que me vaya bien. Fui todo el tiempo apuntalada por la ayuda paterna, a muy alto costo, como suele ser cuando tus padres te ayudan. Y como mi familia es de clase media, no se me diagnosticó pese a que tuve un claro deficit de atención y era demasiado inquieta para tolerar la silla y la doble escolaridad. Además en aquellos tiempos no estaba tan de moda diagnosticar a las nenas y nenes que no se correspondían del todo bien con lo que la escuela normal esperaba. Ojala algún día no tengamos que ir más a la escuela. No tengo ningún aprecio por la educación formal y elegí no graduarme. Si pudiera llevar el tiempo atrás ni iría  a la universidad y trabajaría de manera autónoma como trabajadora sexual de alto rango. No creo ser un absoluto producto de ese lugar llamado academia, solo que como puedo hilar sintaxis de corrido la gente piensa que soy investigadora.  He aprendido también entrenando deportes de combate, con las trabajadoras sexuales y en las calles. Al fin de cuentas, Homero, el fundador de la cultura occidental, era ciego y analfabeto, no?
# Contá del documental y del libro, y decinos si hay como conseguirlo en Brasil? Tenés previsiones para venir?
Hicimos con Mai Staunsager, una amiga, de manera muy low fi, un documental sobre Crohn. Está online a disposición sin fines de lucro para quienes quieran utilizarlo reitero sin fines de lucro. Hay que verlo, no hay mucho para decir, dura una hora, y fue hecho con retazos de mi vida al salir del hospital. No tengo pensando volver a Brasil en mucho tiempo, pero mi amiga Ali de Porto Allegre está traduciendo Foucault para Encapuchadas con un colectivo editor de alla. Tal vez entonces, regrese. He perdido ese deseo de viajar que antes tenía tan a flor de piel.
# Por último, por acá está de moda la persecusión física, pero también ideológica contra los devenires no-heterosexuales, leyes y ciudades prohibiendo la "ideología de género", o sea, la problematización de las normas de género y sexuales en escuelas e instituciones. Tenés recomendaciones para quien quiera sobrevivir a eso? 
Yo tengo el problema de cómo sobrevivir a los discursos progres de la buena conciencia, desde las lesbianas lesbonormativas hasta las feministas pro maternidad. Siempre lo he dicho, si hay nazis que vengan bien vestidos, no tolero a los nazis mal vestidos que encima se creen que no son microfascistas. Brasil no es un lugar seguro no solo para bixas o fanxas, no es un lugar seguro para nadie que quiera ser trabajadora sexual autónoma, no quiera ser madre, no quiera habitar el espacio seguro y confortable del queer blanco academico de clase alta, o no quiera ser un rancio anarco heterosexual. Esa gente progre es tan peligrosa con su microfascismo como un escuadrón de neonazis pero mucho menos visible. Mi gran terror y mi gran enemigo no son las obviedades sino las sutilezas microfacistas que habitan hasta en el corazón supuestamente más revolucionario.